© Joana Linda



As canções que cantamos contra os muros que limpamos



Uma caminhada pelas ruas da cidade, onde 15 mulheres ativam a paisagem como uma caixa de ressonância: corpo a corpo, da parede para a voz, da memória para o gesto, do gesto para o desejo de futuro.

Esta criação para o espaço público explora o potencial estético e político em torno da figura do coro – um coletivo de vozes que negoceiam o seu anonimato e singularidade no esforço de suster juntas uma harmonia efémera. O processo de criação inclui um workshop de 7 dias destinado a 15 mulheres da cidade. Estas participantes integrarão depois o espetáculo e serão co-autoras do material criado.

Interessa-nos a relação entre voz, corpo e fragilidade. O que é uma voz vulnerável? Pode a vulnerabilidade contaminar? Se, como disse a Audre Lorde, “your silence will not protect you”, então talvez seja melhor cantar. Desafiar a imposição desse silêncio juntas, com canções vindas de uma necessidade urgente de nomear o que nos incomoda, o que nos move. Este é um gesto artístico feminista, que pretende criar um espaço coletivo de escuta e de sintonização com as vozes, as emoções, as biografias de cada mulher que se apresentar. Que repertório de canções traz cada uma? Canções de esconjuro, de reclamação, de ira, de transformação. Qual é o repertório coletivo que o nosso encontro pode gerar? Que palavras podemos criar juntas? Que melodias se inscrevem nas diferentes partes do nosso corpo? Como podemos movê-las para que comecem finalmente a falar e a cantar? As melodias que se pegam ao ouvido e que vão tecendo as redes invisíveis que precisamos de construir.

Uma parte importante deste projeto é o envolvimento da comunidade na criação do espetáculo, através de um workshop gratuito. Faremos um levantamento, através de práticas de movimento, de canto e de escrita, das palavras silenciadas, transformando-as em canções, em gesto. Interessa-nos trabalhar exclusivamente com pessoas que se identifiquem com o género feminino, porque estas vozes têm séculos de silenciamento.





WORKSHOPS
21 SET - 15 OUT 2022: Quinta Alegre (Lisboa)
19 – 25 MAR 2022: Musibéria (Serpa)
13 – 19 SET 2021: Alkantara (Lisboa)
5 - 16 JUL 2021: Linha de Fuga (Coimbra)
17 - 20 JUN 2021: Centro Cultural da Malaposta (Odivelas)


APRESENTAÇÕES
28, 29 OUT 2022: Casa da Memória (Guimarães)
26 MAR 2022: Musibéria (Serpa)


DOCUMENTAÇÃO DA RESIDÊNCIA NO LINHA DE FUGA






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